Remédios Para Dormir e Calmantes em Idosos: Riscos e Como Reduzir com Segurança

Remédios Para Dormir e Calmantes em Idosos: Riscos e Como Reduzir com Segurança

Dormir mal é uma queixa muito comum na terceira idade. Por isso, muitos idosos usam remédios para dormir ou calmantes todas as noites, às vezes há anos. No entanto, com o envelhecimento, o corpo passa a reagir de outra forma a esses medicamentos. Em alguns casos, os riscos superam os benefícios. A boa notícia é que existem alternativas eficazes e que, com acompanhamento, é possível reduzir o uso com segurança.

Por Que os Remédios Para Dormir Exigem Mais Cuidado no Idoso

Com a idade, o fígado e os rins eliminam os medicamentos mais devagar. Assim, o efeito dura mais tempo no organismo e pode continuar no dia seguinte. Além disso, o cérebro do idoso fica mais sensível a substâncias que causam sonolência.

Por esse motivo, os Critérios de Beers, uma referência internacional da Sociedade Americana de Geriatria, recomendam evitar em idosos algumas classes de medicamentos usadas para dormir ou acalmar. Entre elas estão os benzodiazepínicos e os chamados hipnóticos “Z”. Alguns antialérgicos com efeito sedativo também aparecem na lista.

Quais São os Principais Riscos

O uso de remédios para dormir em idosos está associado a:

– Quedas e fraturas: a sonolência, a tontura e a perda de equilíbrio aumentam o risco de cair, principalmente ao levantar à noite;

– Confusão mental e piora da memória: podem surgir esquecimentos e, em alguns casos, quadros de confusão aguda. Saiba mais sobre o delírio em idosos;

– Sonolência durante o dia: que atrapalha atividades, conversas e até a alimentação;

– Acidentes de trânsito: em idosos que ainda dirigem;

– Tolerância e dependência: com o tempo, o remédio perde o efeito, e parar de repente pode causar insônia de rebote e ansiedade.

Muitas vezes, a família confunde esses efeitos com sinais de demência. Entenda a diferença entre esquecimento normal e demência.

Remédios Para Dormir Tratam a Causa da Insônia?

Na maioria das vezes, não. A insônia no idoso costuma ter causas que precisam ser investigadas, como dor, vontade de urinar à noite, apneia do sono, ansiedade, depressão ou efeitos de outros remédios. Por isso, tratar apenas o sintoma pode esconder um problema que merece atenção. Veja mais sobre os transtornos do sono em idosos.

Existem Alternativas Eficazes

Sim. A diretriz do American College of Physicians recomenda a terapia cognitivo-comportamental para insônia como primeira opção de tratamento. Ela ajuda a pessoa a mudar hábitos e pensamentos que atrapalham o sono, e os resultados costumam durar mais do que os de um remédio.

Além disso, alguns cuidados simples fazem diferença:

– Manter horários regulares para deitar e levantar;

– Evitar cochilos longos à tarde;

– Fazer atividade física e se expor à luz do dia;

– Reduzir café, chá preto e álcool, principalmente à noite;

– Deixar o quarto escuro, silencioso e confortável.

Para mais orientações, confira as estratégias para uma noite restauradora.

Como Reduzir os Remédios Para Dormir com Segurança

Parar por conta própria, de uma vez, não é recomendado. Afinal, a interrupção brusca pode causar insônia intensa, ansiedade, irritabilidade e, em alguns casos, sintomas mais sérios. O caminho seguro é a redução gradual, planejada com o médico.

A informação também ajuda. No estudo EMPOWER, idosos que receberam material educativo sobre os riscos desses remédios conversaram mais com seus médicos. Depois de seis meses, 27% deles tinham parado o uso, contra 5% no grupo que não recebeu as informações.

Na prática, o processo costuma envolver:

– Avaliação das causas da insônia e de todos os remédios em uso;

– Redução lenta da dose, ao longo de semanas ou meses;

– Apoio com medidas para o sono e, se necessário, psicoterapia;

– Acompanhamento próximo, com ajustes conforme a resposta.

Esse cuidado vale para todos os psicofármacos. Saiba mais sobre a importância do acompanhamento médico no uso desses medicamentos.

Quando Procurar Avaliação

Procure um psiquiatra se o idoso:

– Usa remédios para dormir ou calmantes há muito tempo;

– Teve quedas, tonturas ou confusão mental;

– Parece mais sonolento ou esquecido durante o dia;

– Não consegue dormir sem o remédio ou precisa de doses maiores;

– Toma vários medicamentos e a família tem dúvidas sobre eles.

Perguntas Frequentes

O idoso que usa calmante há anos pode parar?

Na maioria dos casos, sim, desde que a redução seja gradual e acompanhada pelo médico. Mesmo quem usa há muito tempo costuma se beneficiar.

Todo remédio para dormir é perigoso para idosos?

Não. Alguns são mais seguros que outros, e às vezes o uso por pouco tempo é necessário. Por isso, a escolha deve ser individual, sempre com avaliação médica.

Conclusão

Os remédios para dormir e calmantes podem trazer alívio, mas em idosos exigem atenção redobrada. Quedas, confusão e dependência são riscos reais. Felizmente, existem tratamentos eficazes para a insônia e formas seguras de reduzir esses medicamentos. Portanto, se você ou alguém da sua família usa esses remédios, converse com um psiquiatra antes de qualquer mudança.

Dra. Salma Ribeiz — Psiquiatra | CRM-SP 107840

O que deseja encontrar?

Compartilhe